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OS TERMOS QUE DEFINEM OS MELHORES VINHOS PORTUGUESES

As castas, genericamente, são espécies, ou classes – mas, no mundo dos vinhos, esse nome designa as diferentes «variedades de uvas com características específicas» («Dicionário do Vinho», de Francisco Esteves Gonçalves, 1986).

Embora em França se mantenha a tradição da rotulação geográfica dos grandes vinhos, o novo mundo vai cada vez dando mais importância às castas, e é por elas que faz as classificações.

Para o apreciador, torna-se cada vez mais importante conhecer as castas de um vinho, a par da região de que provém, do seu produtor e do enólogo. É uma maneira de alargar os seus prazeres, e de combater os efeitos mais nefastos da globalização, neste sector. Ajuda pelo menos a resistir à tendência para a homogeneização dos produtores multinacionalizados, no seu esforço de corresponderem ao gosto dos grandes críticos (como aquela espécie de Papa do Vinho em que se transformou Robert Parker, o modelo americano e universalizado do nosso João Paulo Martins), e sujeitando-se ao trabalho dos enólogos de moda (de que o francês Michel Rolland é o exemplo gritante, numa globalização do que esteve quase a ser Portugal Ramos por cá), como se denunciou no magnífico documentário Mondovino, do realizador Jonathan Nossiter.

A conhecida especialista britânica Jancis Robinson, no seu «Guia das Castas» (tradução portuguesa editada pela Cotovia, 2000), enumera mais de 800, muitas delas devido aos distintos nomes que em sítios diversos se dá ao mesmo tipo de uvas.

José António Salvador, o jornalista que já tinha desbravado os primeiros segredos do vinho ao público português, no seu livro «Os Autores dos Grandes Vinhos Portugueses» (Edições Afrontamento, 2003), no capítulo dedicado às «principais castas portuguesas, em quantidade e qualidade», reduz aquele número a 34: 19 brancas e 15 tintas.

E assim as enumera:

I – TINTOS

Douro: Touriga Nacional, Touriga Francesa, Tinta Barroca, Tinto Cão e Tinta Roriz. Em âmbitos mais restritos, a Sousão (usada, por exemplo, nos Vintages da Quinta do Noval), a Tinta Amarela e a Tinta Bastarda.

Dão: além da Touriga Nacional e da Tinta Roriz, a Jaen e a Alfrocheiro Preto.

Bairrada: Baga.

Alentejo: Aragonês (conhecida também por Tinta Roriz, noutras zonas) e Trincadeira Preta (também muito usada no Ribatejo).

Terras do Sado: Castelão / Periquita (estendida por quase todo o País).

II – BRANCOS

Minho
: Alvarinho.

Bucelas: Arinto.

Dão: Encruzado.

Setúbal: Moscatel (que aparece noutros locais como Galego Dourado).

Madeira: Boal, Sercial, Malvasia, Verdelho e Terrantez.

Douro: Viasinho, Malvasia Fina e Gouveio.

Bairrada: Bical e Maria Gomes (designação local da Fernão Pires).

Ribatejo: Fernão Pires.

Alentejo: Roupeiro, Perrum e Antão Vaz.

Sabendo que todas estas castas não se encontram exclusivamente nas regiões apontadas, mas cada vez mais disseminadas, eu acrescentaria ainda a esta lista mais três, muito usadas em Portugal: a Loureiro (sobretudo nos verdes do Minho), a Chardonnay (que aparece cada vez mais ligada ao Arinto, com excelentes resultados nos novos brancos) e a Cabernet Sauvignon (há muito ligada aos tinto da Estremadura e do Ribatejo). Para já não falar na cada vez mais de moda Syrah.

Salvador faz uma curiosa nota, que subscrevo inteiramente: embora a Castelão / Periquita, nos tintos, e a Fernão Pires, nos brancos, sejam as castas de longe mais cultivadas e usadas em Portugal, não ficam delas ideias «dos tais grandes vinhos, daqueles imperdíveis na memória dos aromas, dos sabores e das emoções.

Jancis Robinson, entre as suas referenciadas 800 castas, num destaque das 20 mais cultivadas em todo o mundo, inclui apenas 4 das mais usadas em Portugal: além da Aragonês ou Tinta Roriz (única em que o País é indicado nesta lista), as Cabernet Sauvignon, Chardonnay e Moscatel.

Passemos então ao nosso pequeno Dicionário das Castas:

Alfrocheiro Preto, t: Casta portuguesa que era sobretudo usada para acrescentar cor aos vinhos, em várias regiões nacionais, mas que está agora a dar alguns excelentes monocastas, sobretudo no Dão e no Alentejo.

Alvarinho, b: Resposta portuguesa ao Albariño galego, faz os melhores vinhos minhotos, e começa a ser cada vez mais usada para brancos de outras regiões.

Antão Vaz, b: Com o Roupeiro e o Perrum, uma das castas mais típicas dos brancos alentejanos.

Aragonês / Tinta Roriz / Tempranillo, t: É uma das castas fundamentais dos Douros português e espanhol. Base dos vinhos do Porto, é cada vez mais usada nos grandes tintos. O nome Tempranillo (que vem de temprano, palavra castelhana para cedo, devido ao amadurecimento mais rápido) é usado em Espanha, o Tinta Roriz no Douro e Dão, e o Aragonês no Alentejo. Segundo o Guia da J. Robinsos, surgiu como uma resposta ao Cabernet Sauvignon francês, e com óptimos resultados em Portugal e Espanha.

Arinto, b: Casta típica de Bucelas, tem sido origem de grandes brancos em Portugal – sobretudo da Estremadura e do Ribatejo.

Baga, t: Variedade principal da Bairrada, é também muito comum no Dão e no Ribatejo – devendo ser uma das mais cultivadas em todo o país. Caracterizam-na as peles espessas e os elevados níveis de tanino e de acidez, envelhecendo bem os bons exemplares.

Bastardo, t: Uma das castas usadas no Douro.

Bical, b: Casta portuguesa cultivada especialmente na Bairrada e no Dão. Dá aroma e acidez aos vinhos, sendo habitualmente usada na produção de espumantes.

Boal, b: Sobretudo cultivada na Madeira, especialmente na zona de Câmara de Lobos, para os vinhos típicos da região.

Cabernet Sauvignon, t: É a casta mais famosa do mundo, originária de Bordéus, onde consegue as suas melhores expressões (dando vinhos de grande estrutura, com notável concentração de taninos, pigmentos e compostos aromáticos). Aparece muito em vinhos medianos da Estremadura e do Ribatejo.

Castelão / Periquita, t: Muito usada em Portugal, sobretudo no Sul, e esmagadoramente em Palmela, sem resultados notáveis.

Chardonnay, b: A mais popular das castas brancas, vem da Borgonha, e é responsável pelos melhores brancos da região. Em Portugal, está a casar magnificamente com o Arinto, sobretudo na Estremadura e no Ribatejo.

Encruzado, b: Casta portuguesa muito cultivada no Dão, tende a produzir pequenas quantidades de vinho perfumado e apreciável.

Fernão Pires / Maria Gomes, b: Casta versátil portuguesa, a branca mais plantada no País, de maturação relativamente precoce, com aroma que lembra couves cozidas. Com o nome de Maria Gomes, é a casta mais corrente da Bairrada, onde se utiliza nos espumantes.

Galego Dourado / Moscatel, b: O moscatel de Setúbal provém desta casta, a que se dá o nome de Galego Dourado noutras regiões do litoral português. Proveniente do Muscat de Alexandria, é uma das mais antigas castas da região mediterrânica. Dá vinhos fortes, doces e nada subtis.

Gouveio, b: Considerada no Douro a equivalente à Verdelho da Madeira Amadurece bem, mas não produz grandes vinhos.

Jaen, t: Do Douro português e do Centro de Espanha, é notável pela falta de acidez, e dá uns vinhos incaracterísticos.

Loureiro, b: Com aromas a Louro, é a casta forte da zona do vinho verde.

Malvasia, b: Muito difundida, especialmente na Península Ibérica e na Itália, designa uma complexa teia de castas antigas e oriundas da Grécia, que produzem vinhos com carácter, de teor alcoólico alto e doces.
Antes da filoxera, era a casta mais utilizada para o Malmsey, na Madeira.

Malvasia Fina, b: Cultivada no Douro, ingrediente do Vinho do Porto branco.

Maria Gomes / Fernão Pires, b: Casta versátil portuguesa, a branca mais plantada no País, de maturação relativamente precoce, com aroma que lembra couves cozidas. Com o nome de Maria Gomes, é a casta mais corrente da Bairrada, onde se utiliza nos espumantes.

Merlot, t: A mais plantada em Bordéus, associada com os grandes vinhos de St. Émilion e Pomerol. Cada vez mais, em todo o mundo, uma fiel companheira do Cabernet Sauvignon.

Moscatel / Muscat de Alexandria / Galego Dourado, b: O moscatel de Setúbal provém desta casta, a que se dá o nome de Galego Dourado noutras regiões do litoral português. Proveniente do Muscat de Alexandria, é uma das mais antigas castas da região mediterrânica. Dá vinhos fortes, doces e nada subtis.

Periquita / Castelão, t: Muito usada em Portugal, sobretudo no Sul, e esmagadoramente em Palmela, sem resultados notáveis.

Perrum, b: Casta branca portuguesa, das mais vulgares do Alentejo (que alguns relacionam com a Palomino, de Jerez).

Pinot Noir, t: A principal casta tinta de Borgonha. Cobiçadíssima em todo o mundo, pelos prazeres que dá, tem-se revelado muito caprichosa, nas transplantações.

Roupeiro, b: Casta branca alentejana, cujos vinhoas têm de ser bebidos muito jovens.

Sauvignon Blanc, b: Crespa e de aroma penetrante, responsável por alguns dos vinhos brancos secos mais populares e mais característicos do Mundo.

Sercial, b: Vencida em parte pela filoxera, fora uma das bases do Vinho da Madeira.

Sousão, t: Do Douro, é ingrediente útil, ainda que rústico, para o Vinho do Porto.

Syrah, t: Uma das castas mais nobres, e cada vez mais de moda, cuja origem parece estar na Pérsia, e que chegou à Europa através da Líbia, sendo cultivada depois no Ródano, exige uma longa maturação em barricas. Mas dá cada vez mais verdadeiros vinhos de culto (como o Hermitage e o Côte Rôtie). Ou, em Portugal, os da Lagoalva e de Cortes de Cima.

Terrantez, b: Casta da Madeira que dava vinhos ricos e perfumados, quase extinta.

Tinta Amarela, t: Do Douro e do Dão, pode dar vinhos de perfume aparente, mas não é das melhores para os Porto.

Tinta Barroca, t: Delicada e com aroma doce, suavemente frutado, é uma casta robusta do Vinho do Porto, com boas produções, que reage bem ao clima agreste do Douro.

Tinta Roriz / Aragonês / Tempranillo, t: É uma das castas fundamentais dos Douros português e espanhol. Base dos vinhos do Porto, é cada vez mais usada nos grandes tintos. O nome Tempranillo (que vem de temprano, palavra castelhana para cedo, devido ao amadurecimento mais rápido) é usado em Espanha, o Tinta Roriz no Douro e Dão, e o Aragonês no Alentejo. Segundo o Guia da J. Robinsos, surgiu como uma resposta ao Cabernet Sauvignon francês, e com óptimos resultados em Portugal e Espanha.

Tinto Cão, t: Casta do Vinho do Porto da melhor qualidade, que quase desapareceu do Douro, e é hoje ali muito acarinhada.

Touriga Francesa, t: Bela casta robusta do Vinho do Porto que, apesar do nome, é de origem portuguesa.

Touriga Nacional, t: A mais admirada casta do Vinho do Porto, era pouco usada em vinhos de mesa, por produzir poucas quantidades. Tem sido contudo privilegiada nas reestruturações das vinhas do Douro, e de quase todo o País, com óptimos resultados. Dá vinhos de cor carregada, sabor intenso, muito tanínicos e concentrados.

Trincadeira Preta, t: Sinónimo português da francesa Tressalier, usada no Alentejo e Ribatejo, sem grande história.

Verdelho, b: Outra casta da Madeira, que se tornou cada vez mais rara depois da filoxera. O seu vinho situa-se entre a doçura do Sercial e do Boal.

Viasinho, b: Uma das castas brancas do Douro.

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